Quando um amor deve morrer

Dois de abril de 2016. Laura acorda, esperando que realmente o dia primeiro tivesse feito jus ao nome, pregando-lhe uma bela peça de mal gosto. Mas não. Era tudo verdade. Constatou isso ao acordar. E com o rosto deformado de tanto chorar, escolheu sua roupa para trabalhar.

Pegou uma blusa aleatoriamente, a mais confortável e que não precisava passar. Com a blusa no corpo, percebeu que era a mesma que estava usando quando o conheceu. Fazia tempo que Laura não colocava uma blusa comprida com legging. Esse era o traje que ela sempre usava, em 2013, ao sair com ele. E ao se olhar no espelho, podia ouvi-lo entusiasmado, dizendo: “Que isso??!! Você está linda!!”. Essa era a expressão que ouviu durante três anos, acompanhada daquele olhar penetrante e cheio de brilho. Ao escolher o calçado, ficou em dúvida. Apenas duas sapatilhas combinavam com sua roupa. E agora? Colocaria aquela vinho, que ganhou dele no dia dos namorados em 2014, ou aquela jeans, que ganhou dele de aniversário no mesmo ano? Experimentou a jeans e lembrou da última vez que usara aquela sapatilha. Os dois estavam num restaurante, ela passou mal e ele precisou carregá-la no colo durante alguns quarteirões. Depois ficou cuidando dela, até que estivesse melhor. Tirou a sapatilha, saiu com a vinho.

Na rua, Laura, sem querer, o viu várias vezes durante seu trajeto. Por um tempo, ficou imaginando se conseguiria se envolver com alguém novamente. Mas não seria possível. Não seria o mesmo cheiro, o mesmo toque, o mesmo tom de voz, as mesmas palavras doces. Não seria a mesma presença que arranca sorrisos, tampouco o mesmo abraço que cura tudo.

Laura está doendo, porque precisa matar. Laura precisa matá-lo dentro dela, mas não tem ideia do quanto dela morrerá junto. Laura acordou se perguntando: “Quem sou eu, sem você, afinal?” “Quem sou eu, de verdade?” Fato é que Laura nunca precisou matar um amor correspondido. Amor com direito a querer estar perto sempre, a querer sair pra resolver tudo juntos, a ter os mesmos gostos. . Amor com direito a alianças, a renúncias, a não querer ir nem deixar ir embora. Amor tão sem limites de ambas as partes que foge ao bom senso, ao politicamente correto, à ética.

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“A parte mais difícil do amor é quando você sabe que ele deve morrer mas não tem coragem de matá-lo.” (Lobão)

Laura não acredita no amor a qualquer custo. Laura acredita que o amor é um sentimento tão puro que não deveria fazer mal a ninguém, mas apenas trazer o bem. Laura não entendia, mas agora acredita que não é por todo amor que se deve lutar. Laura bem sabe que está abrindo mão do amor da sua vida, dos momentos mais felizes que viveu, dos sonhos que não terão direito de nascer após a morte desse amor. Laura sabe. E se é como dizem, “desistir, também, é um ato de coragem”, Laura, sem dúvida, é uma menina muito corajosa.

Desculpem-me por esse post, que apareceu do nada depois de tantos anos. É que Laura durante todo esse tempo teve um colo para chorar. Agora, com tanta dor e não tendo como desabafar, volta a escrever em uma tentativa desesperada de se sentir melhor.

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Tudo tomou seu lugar, depois que a banda passou…

“A minha gente sofrida
Despediu-se da dor
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor

Mas para meu desencanto
O que era doce acabou
Tudo tomou seu lugar
Depois que a banda passou

E cada qual no seu canto
Em cada canto uma dor
Depois da banda passar
Cantando coisas de amor
Depois da banda passar
Cantando coisas de amor…”

(Trechos de “A Banda”, de Chico Buarque de Holanda)

Ser feliz

Então, sozinha. Hora de aposentar os esmaltes, cortar as unhas bem curtinhas. Pegar qualquer roupa pra ir trabalhar, demorar meia hora pra me arrumar. Usar a semana inteira meu casaco predileto, lavá-lo no final de semana e usá-lo novamente por mais uma semana (repetir o processo “n” vezes). Tirar as etiquetas das baby-looks, matar a saudade dos tênis e, posteriormente, das botas rasteiras. Saltos? Só no natal. Reduzir o tempo na internet, acordar mais tarde, dormir mais cedo. Ficar mais tempo na academia, retomar a leitura de Raquel de Queiroz. Ser mais moleque, menos princesa. Desperdiçar mais tempo jogada no sofá, fazendo sudoku. Sair menos, muito menos. Sextas e sábados em casa, como eu gosto. Recomeçar a planejar a viagem para o Amazonas, começar a planejar outras viagens. Economizar. Relembrar que odeio celular, que ele não precisa estar sempre no bolso (posso até esquecê-lo e perdê-lo com freqüência como sempre foi, sendo apenas necessário para despertar pela manhã). Desmarcar o cabeleireiro da semana que vem, adiar pra maio, junho, e assim por diante, até ser obrigada a ir pelo limite do bom senso. Ter menos pressa e, ainda assim, ter mais tempo livre. Autistar mais. Cantar mais.

Engraçado o quanto nossa vida muda por causa de alguém e a gente nem percebe. Engraçado que isso não é sacrifício nenhum, quando se gosta de verdade. Não é que nos tornemos outra pessoa quando estamos acompanhados, porém, adaptamos nossa rotina, adquirimos novos hábitos, passamos a curtir aquelas coisas que quando estamos sozinhos, não achamos graça nenhuma.

Só sei que fui muito feliz em sua companhia.  Compreendo, também, que sei ser feliz sem você. Preferiria que estivesse aqui, do meu lado. Tá um vazio, mas é apenas uma questão de adaptação à minha vida antiga, ou à minha vida nova. Pois aprendi a ser feliz, apesar da cidade, apesar do frio, apesar da chuva, apesar do salário, apesar da falta de tempo, apesar de acordar cedo, apesar das multas, apesar do Imposto de Renda, apesar dos amigos que o destino espalhou pelo Brasil, apesar de você. Aprendi a ser feliz com o que tenho, sem depender do que perdi, nem do que ainda não conquistei.

Sobre respeito

Já venho pensando sobre isso há alguns dias, mas hoje eu precisava escrever sobre. Pra quem não sabe, trabalho com alunos que têm deficiência visual, com idades diversas. Costumo ouvir frequentemente a frase: “Isso é uma falta de respeito com o deficiente!”

Esse fim de semana que passou, os alunos adultos precisaram ensaiar fora da cidade. Como as condições financeiras deles não são muito favoráveis,  conseguimos um transporte com a prefeitura, que quebrou antes mesmo de dar a partida. Conclusão: os alunos tiveram que descer e empurrar a kombi (que realmente não estava em boas condições). Sem falar que o combinado seria a prefeitura mandar DUAS kombis (eu mesma confirmei tudo no dia anterior), mas só mandou UMA, com 40 minutos de atraso, causando um certo desconforto entre os alunos, pois metade deles teria que voltar pra casa, sendo que TODOS queriam (e PRECISAVAM!) estar no ensaio. Graças a Deus, duas almas bondosas se compadeceram e desceram com seus carros de passeio, suprindo a falta de uma kombi. Daí ouvi, mais uma vez, a célebre frase: “Isso é uma falta de respeito com o deficiente!”

Isso não foi uma falta de respeito com o deficiente, foi uma falta de respeito com o ser humano que eles são! Isso não deveria acontecer com eles, ou com um grupo de crianças, ou com um grupo de idosos, ou comigo, ou com você! O que quero chamar a atenção aqui, não é para o fato ocorrido, mas para os argumentos fracos que utilizamos, sem pensar muito no que isso significa.

Quando crianças ou mulheres são espancadas, o fato não deveria comover apenas pela situação envolver “crianças” ou “mulheres”. Claro que entre um homem e uma mulher, geralmente a mulher é mais fraca e sairia em desvantagem numa pancadaria, assim como uma criança. Aí vêm os comentários: “Puxa, mas fazer isso com uma mulher?”, “Puxa, mas fazer isso com uma criança?” Mas não é por ser mulher ou criança que ela não deve ser espancada! NINGUÉM deve ser espancado! Usando um argumento como esse, dá a entender que essa atitude seria tolerável em outros casos, quando não é.

Só pra deixar claro, determinadas pessoas têm necessidades específicas sim, e isso deve ser levado em consideração. É uma falta de respeito uma pessoa que precisa da cadeira de rodas pra se locomover não poder estudar na escola mais próxima de casa, por exemplo, por não ter acessibilidade. Mas isso é uma falta de respeito não por que ela tem uma deficiência, é por ela ser um ser humano com uma necessidade diferente da minha. Se eu tenho acesso aos lugares que desejo, por que ela não?

TODO SER HUMANO MERECE SER RESPEITADO, INDEPENDENTE DA IDADE, DA COR, DA ALTURA, DO PESO, DE ONDE NASCEU, DA CONDIÇÃO SOCIAL, DAS SUAS NECESSIDADES E DEMAIS PARTICULARIDADES QUE CADA UM TEM!

Mais uma do governo!

Gente, recebi isso por e-mail e decidi compartinhar:

No início desse mês, o Município do Rio de Janeiro (como varios outros já  o fazem) iniciou um programa para incentivar as pessoas a exigirem a Nota Fiscal no ato de cada compra. O negócio funciona mais ou menos assim: Você está no restaurante, acabou de  fazer sua refeição e vai até o caixa pagar a conta. Neste instante, você  menciona que deseja a Nota Fiscal da sua refeição. Então o operador  solicita seu CPF (sem CPF não funciona) e emite a nota. Você guarda esta  nota e posteriormente pode consultar no site da Secretaria da Fazenda. Lá  vão constar todas as notas que você solicitou, bem como um Crédito a seu  favor. Esse crédito que o governo vai conceder a você, será usado para  diminuir no valor de impostos, como o IPTU e outros. Importante lembrar apenas que a proporção é mais ou menos assim: de R$ 20,00 em ICMS (e não sobre o valor do total gasto) voce vai ganhar o  desconto de R$ 1,00. Ou seja, para que vc ganhe esse R$ 1,00 vc deverá acumular, em gastos, mais de R$800,00. Está em dúvida ? Faça o teste ! Olha a pegadinha ! ! ! Preste muita atenção na jogada do governo. Você pede a Nota Fiscal, o restaurante paga mais ICMS para o governo. . .  _”Ah! Mas eu vou ganhar um desconto no meu IPTU !” É verdade. Você ganha um desconto de R$ 1,00 e arrecadam R$ 10,00 a mais nos seus impostos. Que vantagem Maria leva ? E o principal: o governo agora estará controlando MAIS a sua vida, seus gastos, etc. Cada nota que você pede, você fornece seu CPF, logo o governo tem condições  de avaliar quanto foi sua verdadeira renda (independente dela ser formal ou informal). Se você gastou e pediu Nota Fiscal, é porque você tinha  dinheiro. E se você tinha dinheiro é porque você ganhou. E se você ganhou,  você tem que prestar contas ao “Leão”. Consequentemente, isso vai acabar gerando mais Imposto de Renda para cada um de nós.  Note que essa jogada não é só dos municípios. Em última análise é uma iniciativa do Governo Federal ! Pois é ele quem arrecada seu imposto de renda PF. Tudo está acontecendo sorrateiramente. Sem que ninguém perceba, o governo “federal” está assumindo o controle total sobre a vida financeira de cada cidadão. Tenho fé, que ainda possamos  perceber e escapar dessa armadilha.

Não temos SAÚDE, não temos EDUCAÇÃO, não temos TRANSPORTE COLETIVO E AINDA VAMOS PAGAR MAIS IMPOSTOS… ESTÁ BEM CLARO, ELES FICARAM SEM A CPMF E LOGO CRIARIAM ALGO SIMILAR… E ESTA É AINDA PIOR, POIS CONTROLA SUA VIDA…  LHE DÁ FALSO PODER DE DESCONTO… TUDO UMA GRANDE JOGADA…. 

Já somos “escravos” do governo, por ter que trabalhar 4 meses de cada ano só para pagar impostos (sobram apenas 8 meses para sustentar a família) e agora mais essa!

Pois é, gente, é um caso a se pensar… Reflitam!

Náuseas em uma segunda-feira pela manhã

Hoje, ao acordar, me deparo com a seguinte revista na mesinha da sala, cuja capa me chamou muita atenção:

 

Começou o nó na garganta… Como pode eu “poder visitar qualquer lugar do mundo sem sair de casa” (sim, orgulhosamente enchem a boca para dizer isso quando o assunto é “a era digital”) e o BRASIL, composto por uma misturada danada de cores e raças, ainda precisar de uma reportagem como essa?

Certo dia, alguém muito próximo a mim me deu um conselho. Era a época em que era “moda” negros desfilarem com loiras ao lado. Eis o que ouvi: “Carol, não case com negro, sabe por quê? Não é preconceito, não… É porque as branquinhas tão tudo casando com eles e daqui a pouco a raça branca vai acabar…”. É, eu não acreditei que estava ouvindo aquilo. Por “n” motivos. Citarei apenas 3:

1- Levando para o lado pessoal, tenho nariz de preto, beiço de preto, cabelo de preto (pois é, esse cabelo “lisinho” que vocês veem nas fotos não é meu!). Meu avô era bem negro, que casou com uma mulher de pele clara, que resultou no meu pai mulato. Minha mãe, de pele clara, casou com meu pai e deu origem a minha irmã, que nasceu com uma cor maravilhosa, e a mim, que por acaso nasci pálida desse jeito, mas longe de ser considerada “branca”. Então, esse conselho fere diretamente a mim e a minha geração, mas não me senti ofendida, acabei achando engraçado (sim, tenho a capacidade de achar coisas bizarras engraçadas vai entender?, mas não deixo de perceber e me preocupar com a gravidade das coisas).

2- Por que a preocupação era somente com “a raça branca acabar”? Por que não a preocupação em “preservar a raça negra ‘pura'” também?  Sim, brancos que se reproduzem com negros geram mulatos, portanto, os dois lados sairiam “perdendo”, não? E eu, sendo parda, me relacionando com um branco, acabaria “manchando” a raça alheia, verdade? Pois é, não sei onde esse tal conselho se encaixaria para a minha pessoa, mas é melhor mesmo não tentar entender certas coisas.

3- Isso é conselho que se dê a um carioca? Pele negra é o que mais se vê por aqui e o contrário é exceção! “Olha que negão!”, “Olha só que preto!”, “Nossa… que mulata!”, “Hum… mas que morena!” são comentários feitos frequentemente por homens e mulheres na cidade do Rio de Janeiro (ok, as cantadas são de níveis bem inferiores, mas não me façam escrever isso aqui). Mesmo assim, sei que por aqui ainda há preconceito quanto à cor, ainda que, TALVEZ, seja em menor proporção que em outros lugares.

Segundo a revista Época, a novela Insensato Coração juntamente com seu galã negro teve uma grande aceitação pelo público. A revista também vem trazendo dados sobre a ascenção do negro no Brasil. Tais constatações sugerem uma maior aceitação da sociedade quanto à raça negra, o que nos dá a impresão de diminuição do preconceito, o que não é verdade. Apenas somos hipócritas: achamos genial um negro assumir posição de chefia, mas não o queremos em nossa família; achamos fantásticas as Paraolimpíedas e as oportunidades que os portadores de deficiência estão adquirindo (lentamente), mas é totalmente fora de cogitação um homem sem um braço pedindo nossa filha em namoro. É tudo muito lindo, mas longe de nós.

“O Lázaro virou galã pegador pela política de cotas.” (Comentário postado no Twitter)

Infelizmente, a evolução do ser humano como pessoa tem sido inversamente proporcional à da tecnologia (isso considerando o avanço da tecnologia como algo bom, sobre o qual ainda tenho minhas dúvidas). Pois é, não acho que estamos nos tornando pessoas melhores, pelo contrário. Nos meus pensamentos mais otimistas, posso até dizer que permanecemos no 0 x 0, mas não posso dizer que em algum momento da história melhoramos em algo. E não estou falando de pessoas específicas, sei que existem pessoas boas, acredito nisso, mas desafio a qualquer um vir aqui e me dizer em que nós melhoramos, de um modo geral, sem que tenha havido um interesse financeiro por trás dessa melhora.

Ah, o dinheiro… esse, sim, faz milagres!

“Peraê! Para tudo que tá chegando o Pelé, nosso rei!”