Sobre carroças, charretes e carruagens e a Cidade Imperial

Que Petrópolis vem guardando consigo inúmeros costumes há uns 200 anos, isso ninguém discute. Patrimônios tombados, laudêmio, trabalho escravo, modo de pensar dos nativos… ao chegarmos na Cidade Imperial, tudo isso e mais um pouco nos remete a um passado o qual temos certeza de que não nos pertenceu (graças a Deus).

Como em time que está ganhando não se mexe (aliás, tem gente ganhando com isso há aproximadamente 200 anos), não se ouve falar em mudanças por aqui. Entretanto, uma coisa está sendo discutida há algum tempo: o caos que vem se tornando o trânsito em Petrópolis. Também, pudera. Dentre os costumes preservados, estão também o uso de carroças, charretes e carruagens, facilmente confundidas com veículos comuns, encontrados nas grandes cidades. Elas são de todos os tipos, marcas, cores e tamanhos, mas não de todas as velocidades. Quem vem de fora com seu carro possante, aconselha-se rezar um terço para a Nossa Senhora da Paciência. Não, não adianta buzinar, xingar, partir pra briga, petropolitano não tem pressa – afinal, se tivessem, seus meios de transporte estariam andando, não rastejando. E não, ninguem vai dar razão ao estressadinho, apressadinho, mal educado e prepotente que pensa que pode mudar a rotina dos condutores nativos. Até porque, a regra é bem clara:

Alguém estudou essa placa aí na auto escola? Pois sim, ela existe. E está localizada em frente à Catedral São Pedro de Alcântara, ponto turístico de Petrópolis.

Agora, quem quer mesmo fazer percursos em menos tempo, é aconselhável que se compre uma bicicleta, que é mais veloz que qualquer meio de transporte da cidade. Mas se você está vindo morar aqui, insiste em querer andar de carro e tem boa vontade para se adaptar ao modelo de trânsito, Petrópolis também tem agências que proporcionam carros adaptados para a cidade, com “kit setas” e “kit 4ª e 5ª marchas” opcionais. Para quem está disposto a somente dirigir por aqui, esses itens são totalmente dispensáveis. Sendo assim, o condutor pode economizar uma boa (pequena) grana ao adquirir seu veículo petropolitano.

Contudo, existem rumores de que as charretes petropolitanas, aquelas mais tradicionais, estão para acabar. O motivo seria o maltrato aos animais. Se fosse por motivos de fluidez no trânsito, creio que não seria necessário acabar com nenhum tipo de carroça, charrete ou carruagem. Bastaria que se trocassem alguns bois, cavalos e jegues que as conduzem.

(Obs: Para evitar possíveis futuros estresses, vamos esclarecer:

1- esse post não tem o objetivo de ofender ninguém;

2- quando à última frase do texto, existem bois, cavalos e jegues no trânsito em todo o lugar do mundo, ok? Não é privilégio da Cidade Imperial;

3- sim, o trânsito de Petrópolis me irrita bastante e esse post foi criado num momento de “fúria”.)

Ser feliz

Então, sozinha. Hora de aposentar os esmaltes, cortar as unhas bem curtinhas. Pegar qualquer roupa pra ir trabalhar, demorar meia hora pra me arrumar. Usar a semana inteira meu casaco predileto, lavá-lo no final de semana e usá-lo novamente por mais uma semana (repetir o processo “n” vezes). Tirar as etiquetas das baby-looks, matar a saudade dos tênis e, posteriormente, das botas rasteiras. Saltos? Só no natal. Reduzir o tempo na internet, acordar mais tarde, dormir mais cedo. Ficar mais tempo na academia, retomar a leitura de Raquel de Queiroz. Ser mais moleque, menos princesa. Desperdiçar mais tempo jogada no sofá, fazendo sudoku. Sair menos, muito menos. Sextas e sábados em casa, como eu gosto. Recomeçar a planejar a viagem para o Amazonas, começar a planejar outras viagens. Economizar. Relembrar que odeio celular, que ele não precisa estar sempre no bolso (posso até esquecê-lo e perdê-lo com freqüência como sempre foi, sendo apenas necessário para despertar pela manhã). Desmarcar o cabeleireiro da semana que vem, adiar pra maio, junho, e assim por diante, até ser obrigada a ir pelo limite do bom senso. Ter menos pressa e, ainda assim, ter mais tempo livre. Autistar mais. Cantar mais.

Engraçado o quanto nossa vida muda por causa de alguém e a gente nem percebe. Engraçado que isso não é sacrifício nenhum, quando se gosta de verdade. Não é que nos tornemos outra pessoa quando estamos acompanhados, porém, adaptamos nossa rotina, adquirimos novos hábitos, passamos a curtir aquelas coisas que quando estamos sozinhos, não achamos graça nenhuma.

Só sei que fui muito feliz em sua companhia.  Compreendo, também, que sei ser feliz sem você. Preferiria que estivesse aqui, do meu lado. Tá um vazio, mas é apenas uma questão de adaptação à minha vida antiga, ou à minha vida nova. Pois aprendi a ser feliz, apesar da cidade, apesar do frio, apesar da chuva, apesar do salário, apesar da falta de tempo, apesar de acordar cedo, apesar das multas, apesar do Imposto de Renda, apesar dos amigos que o destino espalhou pelo Brasil, apesar de você. Aprendi a ser feliz com o que tenho, sem depender do que perdi, nem do que ainda não conquistei.

Quando o anjo perde as asas

Era tudo muito perfeito. Antonieta se sentia culpada, às vezes, por não confiar que daria certo. Tão bom sentir-se segura, protegida… quem sabe até amada? Era a primeira vez que isso acontecia naquela cidade, pela qual sua antipatia é evidente.

Então, de repende, o anjo que chegara do nada, perde as asas. A sangue frio, a deixa desamparada, sozinha. Sua expressão não é a mesma, ela estranha ao ver frieza em seus olhos. Palavras duras saem de sua boca, e Antonieta não o reconhece. Decepcionada, magoada, catando os pedaços, respira fundo e sorri pra vida. Sente o vento gelado, inclina a cabeça para cima e deixa a chuva cair em seu rosto, escorrendo pelos seus cabelos, sem se importar com o frio. Era como se aquilo estivesse levando tudo embora… Mas era engano.

Antonieta sente a dor, e, desorientada, tenta entender por que seu anjo desistiu das asas. Estariam elas pesadas, ou pareceriam ridículas diante das pessoas comuns? Será que ele apenas as escondeu um pouquinho, ou se desfez delas pra sempre? E se ele as perdeu mesmo, assim, sem querer?

No fundo do coração de Antonieta, há a certeza de que suas asas eram “asas de leite”. As “permanentes” começarão a nascer em breve e assim que estiverem grandes o sufuciente, seu anjo estará pronto para voar pelo mundo novamente. Pousará em um outro lugar, onde encontrará alguém que precise de sua proteção. E ele a protegerá, para sempre.

Sim, Antonieta acredita em anjos. Acredita, também, que anjo é sempre anjo. E daí que perdeu as asas? Ele pode arrancar, podar, vender, elas certamente nascem de novo. E nascem cada vez mais fortes.

 

 

Anjo [2]

Ainda é especial. Apesar de tudo. Sei lá…

Tão distante…

Só restam palavras. Mas não as sinto mais como eram antes.

Talvez porque palavras sejam apenas palavras, e o empenho pra que elas realmente venham tocar-me, já não existe mais.

Em pouco tempo, sei que elas se irão com o vento…

É uma pena. Por tudo o que passamos. Por tudo o que poderíamos passar.

É uma pena. Por tudo o que estou passando agora. Sozinha.

 

Não quero mais ouvir, se já não pode me fazer sentir.

 

 Grata por sua compreensão.

I see dumb people!

Quando fazemos qualquer curso de licenciatura, aprendemos que ninguém é burro, que todos têm o seu tempo de aprendizagem, que nem todos têm as mesmas habilidades, que uns têm mais facilidade pra determinadas coisas e blá  blá blá. Enfim, todo mundo nesse mundo presta pra alguma coisa.

 

 

 

 

Entretanto, a cada dia que passa, venho conhecendo pessoas que têm se esforçado pra jogar por terra todo esse tipo de teoria. Sério. Eu, que um dia acreditei que existisse gente burra, tive um novo ponto de vista após a faculdade, porém, estou voltando a acreditar que sim, a burrice existe. E não é aquela burrice do tipo “não sei nada de matemática mas me dou bem em português”. É aquela burrice geral mesmo. Geral e concentrada. Já ouviram aquela frase “fulano não deu pra nada”? Pois é. Começo a acreditar que sim, existem pessoas que não prestam pra absolutamente NADA. Só estão. Existem. Vagam. Ok, acredito que todos NASCERAM com potencialidades, mas alguns simplesmente não DESENVOLVERAM nenhuma, sei lá por qual motivo. E não tô falando de gente velha, noto isso de adolescentes pra cima (sinceramente, nunca conheci uma criança burra. Acho que essa tal substância da “burrice concentrada” se desenvolve a partir da fase complicada da adolescência mesmo. Talvez venha junto com alguns hormônios, sei lá…). Geralmente, penso que a pessoa sofre de atrofia cerebral, mas às vezes, fico cogitando… poderiam ser eles burros por opção? Tipo, por preguiça mesmo? Sabem que poderiam, que conseguiriam, que aprenderiam, mas simplesmente têm preguiça, complexos, ou alguma força maior que faça com que fiquem parados no tempo… será? Ou talvez alguns simplesmente não tenham noção de sua improdutividade, ou tenham uma visão tão distorcida que quando fazem um “arroz com feijão” meia boca enxergam aquilo como um banquete preparado por um grande chef da gastronomia…

Sei lá. Às vezes vejo minhocas em corpo de gente. E isso acontece o tempo todo.

Anjo

Daí alguém vem do nada…

 

 

Se torna especial…

 

 

E você pensa “até que um dia pode ser que…”…

 

 

Mas, acaba deixando-o ir…

 

 

Pois simplesmente não tem estrutura pra suportar o que ele PRECISA fazer.

 

 

Valeu à pena ter te conhecido.

 

PS: Cuidarei das flores.

E eu que pensei que já tinha acabado…

Dormi bem, e pesado. Fazia tempo que isso não acontecia. E sonhei…

Acordei, sem lembrar direito. Depois, tudo se fez claro. Era como se eu tivesse vivido aquele sonho. Como se a história que acabou, tivesse continuando de onde parou. Por um momento, por uma noite, tudo se esclareceu. E fiquei bem. Ficamos bem.

Agora, não consigo ver um carro prata que não me deprima.

Na verdade, sei que ainda quero entender.

 

Lembranças… (2)

Eu, com 3 anos de idade, minha irmã ainda tinha poucos meses. Então, brincava apenas com meus primos que eram um pouquinho mais velhos que eu. Não aprendi a gostar de bonecas, talvez por ninguém ao meu redor gostar delas. Eu achava os carrinhos deles super divertidos e os soldadinhos de plástico também. Certo dia, ganhei um carrinho de fricção. Ok, talvez eu tenha esperneado pra ganhar o carrinho, mas disso eu não lembro. Só sei mesmo que era meu brinquedo predileto. Bem, um belo dia, uma vizinha deixou os filhos dela, 2 bebês gêmeos, lá em casa. Pediu pra minha mãe tomar conta deles “rapidinho”. Logo, logo percebi que não era a única que amava o meu carrinho. Fiquei com ciúmes, mas eram bebês e estavam sem a mãe, pobrezinhos. Enfim, a dona das crianças chegou. Levou-os embora, e o meu carrinho junto. Minha mãe alegou que se tirasse o carrinho deles, eles iriam chorar e que mais tarde passaria lá na casa da vizinha pra pegá-lo de volta. Mais de 20 anos se passaram e espero o carrinho até hoje. Nunca mais o vi. Nunca mais me deram outro. Mas daí, ganhei das minhas tias um carrão que eu achava o máximo, vermelho, que eu sozinha podia dirigir. Ó só:

Eu, toda metida na minha Ferrari vermelha, hahaha!

Olhando a foto assim, ele até parece pequeno, né? Mas juro! Era grandão, haha! Tinha uns pedais que faziam com que ele andasse e o volante guiava o carro direitinho… infinitamente melhor que meu Velotrol, rs!!!! Bem, depois que já não cabia mais nele, veio a paixão por autoramas, mas, infelizmente, nunca tive um.

Hoje, adoro carros, carros antigos. Se pudesse, teria uma coleção deles. Não os tiraria da garagem, ficariam todos lá, apenas para serem apreciados. Agora, pra ter na mão mesmo, teria daqueles mais robustos, 4×4, que se enchem de lama. Não gosto de carros “mauricinhos”, cheio de frescurinha, conforto, que não passam marcha, que ao apertar um botãozinho qualquer se transformam todo.

Carro tem que ser “macho”, tem que saber correr razoavelmente e tem que saber entrar em buraco, sem medo. Não precisa de rádio, DVD, ar-condicionado. Precisa mesmo é ser resistente, aguentar o pique, o  rojão, assim como qualquer brinquedo de criança.

 

Lembranças…

Lembro-me de que, quando eu tinha mais ou menos uns 3 anos de idade, todas as amigas da minha avó usavam coque. Elas tinham uns nomes engraçados, Nair, Ana Rita… A maioria delas também tinha joanete e eu perguntava por que elas tinham os dedos tortos. “Por usarem sapatos apertados!”, minha avó respondia. Eu pensava: “Nossa, eu não quero nunca usar sapatos apertados!”. Todas elas também tinham calos nos joelhos, inclusive minha avó. Ela dizia que quem falava muito com Deus tinha aquela marquinha, e que logo, logo eu também teria a minha. Eu ficava feliz, queria ter a minha marquinha nos joelhos! Lembro-me, também, que todas elas beiravam a mesma idade, quase uns 60. Eu as achava muito velhas, afinal, todos os filhos delas já tinham tido filhos! Que coisa doida!

Certa época, minha avó foi morar longe, com minha tia. Toda vez que eu a visitava, ela fazia frango com quiabo pra mim, minha comida predileta. Depois, voltou a morar com a gente, eu já maiorzinha, uns 6 anos. Ela me ajudava com as lições de casa, dizia com orgulho que tinha até a 4ª série primária. Era muito exigente, calculava muito bem e sabia tudo o que era com “s”, “z”, ”ss” e “ç”, bem como tudo o que tinha acento agudo, acento circunflexo e til. Reclamava das minhas pinturas e dizia: “Você não pode pintar pra fora da linha do desenho! E também precisa pintar tudo numa direção só!”  Tinha a letra linda, mas eu sempre pensava: “Nossa! Minha avó é mesmo velhinha… quem estuda só até a 4ª série primaria? Eu vou estudar muito e terminar tudo!”.

Hoje, não tenho meus calos nos joelhos, nem conheço nenhuma amiga da minha avó. Ainda não sei o que realmente causa os tais joanetes, mas tenho aversão a sapatos apertados. Não suporto frango com quiabo, nem estudei tudo o que queria. Também descobri que não é preciso ser muito velho pra ter estudado apenas até a “4ª série primária”, ou menos que isso, mas sim que a oportunidade de estudar é uma questão de “sorte”. “Sorte” de ter nascido no lugar certo, na família certa.

Hoje, minha avó tem 80 anos. E acho engraçado como eu estou ficando velha, e ela não.

Sobre triângulos

De uns anos pra cá, triângulos foram minha sina. Não, não me orgulho disso. Também não me sinto culpada, até porque a descoberta vem uns tempos depois do envolvimento, ainda que a desconfiança exista desde sempre. Não digo que sou intuitiva, mas geralmente pessoas comprometidas deixam vazar alguma coisinha, daí vaza outra e outra, até que a outra pessoa apareça por completo. Claro, não toco no assunto, não pergunto, até porque o dia que me arrisquei a perguntar, recebi a resposta simples e clara: “Sim, tenho alguém. Você tem problema com isso?”.  Só que, mais cedo ou mais tarde, perguntando ou não, a verdade aparece.

Não, nem sempre o camarada está disposta a enganar você. Alguns são sinceros, até porque disfarces e invenções dão muito trabalho, têm que fazer sentido, convencer, e se já é difícil tapear uma, imagine duas, três, ou quantas pessoas  o cara estiver disposto a ter? Esses só querem que você os aceite do jeito que são, dizendo que um dia irá resolver toda essa situação. Ou não.

E nem sempre o comprometimento que o mocinho tem com a outra pessoa é físico, muitas vezes é emocional, o que o faz ter diversas recaídas com aquela que ele realmente ama, que (in)felizmente, não sou eu é você.

Hoje, sei que tenho ímã pra pessoas emocionalmente fracassadas, complexadas, que não se libertam do passado, que não se permitem viver novas experiências. Lamentam o que passou, o valor que não deram, o que poderiam ter feito e não fizeram, que querem a todo custo reviver o que não dá mais tempo. Geralmente, a outra ponta do triângulo sabe no que está metida. Ela já se acostumou com as indas e vindas, com o relacionamento morno, ou está envolvida também em outros relacionamentos, ou simplesmente se diverte com a situação, vendo sua presa indo e voltando, totalmente dependente dela, enquanto se sente livre, leve, solta e poderosa. Quando descobre a outra ponta, topa jogar, entra na disputa (oi? Disputa?? Nem sabia! Pode levar!), enquanto lá estou eu, quietinha, passiva, já vendo tudo o que vai acontecer: ele vai embora (azar no jogo, sorte no amor? Tenho azar nos dois. Hum… pensando bem, nesse caso é sorte, né?). Sim, ele vai embora, talvez com a outra ponta do triângulo, ou com uma outra qualquer, talvez aos pouquinhos, ou de uma só vez,  mas ele VAI. É a única certeza que tenho, sempre.

Enfim, estou cada vez mais convencida de que aquele tipo de relacionamento que papai e mamãe me ensinaram que existe, só existe na minha cabeça (acho que nem na deles existe mais).

 Forever alone?? That’s me!