“Tolo não é quem acredita, tolo é quem mente”

Inversão de valores: é incrível como existem situações que a sociedade julga de forma totalmente incoerente. Certo dia, estava trabalhando e ouvi dois alunos conversando. “Caramba, viu a surra que Fulano levou ontem? E hoje ele nem veio pra escola” “Claro, depois daquela surra, com que cara ele iria aparecer por aqui? Deve estar morto de vergonha…” Aí eu pergunto: por que quem apanhou deveria estar com vergonha? O errado não foi quem bateu? Claro que podem ter ocorrido razões diversar para que a tal briga acontecesse, o cara que apanhou poderia ter provocado, talvez. Mas o fato é que geralmente, quando há uma briga, independente de quem ganhe, este será o “bambambam”, enquanto o outro, o “pobre coitado”.

E quem nunca ouviu aquela frase: Poxa, tadinha da Beltrana, depois de tanto tempo, descobriu que o marido a traía com a empregada! Então, vem aquele sentimento em Beltrana, de que poderia ter “aproveitado mais” e se “divertido” com outros, mesmo estando com quem amava. Isso faria Beltrana se sentir melhor! O fato de ela ter sido “a errada” também, amenizaria esse sentimento de pena de si mesma que ela sente… Agora, me digam, por que é que Beltrana é coitada? Ela não deveria estar orgulhosa por ter cumprido a sua parte, por ter sido honesta? Por qual motivo quem é enganado é o que faz papel de bobo e o enganador é o esperto? Por que quando se é “passado para trás” vem aquele sentimento de inferioridade, independente do motivo? Por que fazer o certo é errado e fazer o errado é certo?

E ainda tem Ciclano! Ah… pobre do Ciclano! Este sempre teve um coração bom… Um de seus melhores amigos fez compras nas casas Bahia e pediu para que ele passasse seu cartão e ainda parcelasse em 10 vezes. – Quando vencer o cartão é só falar comigo que eu pago, Ciclano! – disse seu amigo. Agora, o pilantra não quer pagar. Sim, todos acharam o amigo de Ciclano um mal-caráter… mas quem é o pastel da estória? O Ciclano! Ah, um dia ele aprende que dinheiro não se empresta. Por enquanto, está se sentindo otário a prestação. Entretanto, quantas pessoas já não ajudaram um amigo dessa forma e este ficou super agradecido? Quantas vezes o coração bom de uma pessoa já tirou alguém da lama e este reconheceu? Praticar a bondade faz bem ao coração, mas ninguém sabe ao certo o que se passa na mente do outro, é um risco que se corre. Nessas horas me vem a frase de Artur da Távola… Acreditar, não faz de ninguém um tolo. Tolo é quem mente. Porém, use isso com cautela, senão, para a sociedade, o burro será você!

Uma vez, vi uma reportagem de uma mãe que acorrentava o filho para que este não saísse de casa em busca de drogas, já que era viciado (sim, volta e meia aparece um caso desse na mídia). A mulher aparecia chorando e em desespero (só quem tem um parente nessa situação é que sabe o quanto é difícil lidar com isso, os usuários podem ficar agressivos, e era esse o caso do menino). Pois então, acorrentá-lo foi a única solução que encontrou (e dizia isso com muita culpa e dor), porém, estava sendo indiciada, não lembro se era por lesão corporal, maus tratos, ou algo parecido, por ter utilizado tal método (esses assuntos de Direito não são minha praia). Bom, ajudar a mulher ninguém quer! Ninguém tem uma solução para isso! Mas culpá-la e condená-la… Ah, isso qualquer um pode fazer! E VÃO fazer, porém, seu filho continuará viciado. Agora que ela não pode mais algemá-lo (senão quem será algemada é ela), o adolescente poderá continuar a furtar objetos da casa e cometer roubos livremente por aí para sustentar seu vício, pois a justiça tirou a única arma que sua mãe tinha e não apresentou nenhuma outra em troca. Também, não poderá ser preso, pois é “dimenor”. Deve-se acorrentar um ser humano em casa? Não! Ela errou? Talvez, mas estava dando certo! Não apóio “violência”, mas cada caso é um caso.

Sem falar que, para mim, a família que é a base de tudo, praticamente não existe mais em nossa sociedade. Existem pais, mães, irmãos e avós, mas não a unidade entre eles. As crianças são sempre as que mais sofrem. O depósito de estorvos A escola mostra-se um alívio para os pais. Coisas básicas como noção de hierarquia, de respeito, de como amarrar um sapato e até mesmo de como segurar num talher, só se aprende na escola. Sentar com o filho para ver se tem dificuldades no colégio e ajudar a fazer o dever de casa são coisas do passado. Até arranjar um tempo para ir a uma reunião de pais ou mandar um representante em seu lugar está difícil.

Até onde eu sei, o certo é o certo e o errado é o errado. Quando foi que isso mudou? Independente da concepção de certo ou errado de cada um, há o senso comum. E nesse senso comum é que tá tudo invertido.

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4 comentários em ““Tolo não é quem acredita, tolo é quem mente”

  1. Olhe, menina…
    Cada vez mais gosto de seus pensares e de seus escritos.
    Parabéns mesmo.
    A única certeza que tenho é que vale à pena continuar acreditando numa melhoria da sociedade… Você e a Aline, dentre outras raras pessoas, fazem com que minha fé na humanidade não esmoreça.
    Gde abraço desse “aumilde” admirador.

  2. Alexssandro Borges disse:

    Inteligente seu ponto de vista. Parabéns!

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