Lembranças… (2)

Eu, com 3 anos de idade, minha irmã ainda tinha poucos meses. Então, brincava apenas com meus primos que eram um pouquinho mais velhos que eu. Não aprendi a gostar de bonecas, talvez por ninguém ao meu redor gostar delas. Eu achava os carrinhos deles super divertidos e os soldadinhos de plástico também. Certo dia, ganhei um carrinho de fricção. Ok, talvez eu tenha esperneado pra ganhar o carrinho, mas disso eu não lembro. Só sei mesmo que era meu brinquedo predileto. Bem, um belo dia, uma vizinha deixou os filhos dela, 2 bebês gêmeos, lá em casa. Pediu pra minha mãe tomar conta deles “rapidinho”. Logo, logo percebi que não era a única que amava o meu carrinho. Fiquei com ciúmes, mas eram bebês e estavam sem a mãe, pobrezinhos. Enfim, a dona das crianças chegou. Levou-os embora, e o meu carrinho junto. Minha mãe alegou que se tirasse o carrinho deles, eles iriam chorar e que mais tarde passaria lá na casa da vizinha pra pegá-lo de volta. Mais de 20 anos se passaram e espero o carrinho até hoje. Nunca mais o vi. Nunca mais me deram outro. Mas daí, ganhei das minhas tias um carrão que eu achava o máximo, vermelho, que eu sozinha podia dirigir. Ó só:

Eu, toda metida na minha Ferrari vermelha, hahaha!

Olhando a foto assim, ele até parece pequeno, né? Mas juro! Era grandão, haha! Tinha uns pedais que faziam com que ele andasse e o volante guiava o carro direitinho… infinitamente melhor que meu Velotrol, rs!!!! Bem, depois que já não cabia mais nele, veio a paixão por autoramas, mas, infelizmente, nunca tive um.

Hoje, adoro carros, carros antigos. Se pudesse, teria uma coleção deles. Não os tiraria da garagem, ficariam todos lá, apenas para serem apreciados. Agora, pra ter na mão mesmo, teria daqueles mais robustos, 4×4, que se enchem de lama. Não gosto de carros “mauricinhos”, cheio de frescurinha, conforto, que não passam marcha, que ao apertar um botãozinho qualquer se transformam todo.

Carro tem que ser “macho”, tem que saber correr razoavelmente e tem que saber entrar em buraco, sem medo. Não precisa de rádio, DVD, ar-condicionado. Precisa mesmo é ser resistente, aguentar o pique, o  rojão, assim como qualquer brinquedo de criança.

 

Lembranças…

Lembro-me de que, quando eu tinha mais ou menos uns 3 anos de idade, todas as amigas da minha avó usavam coque. Elas tinham uns nomes engraçados, Nair, Ana Rita… A maioria delas também tinha joanete e eu perguntava por que elas tinham os dedos tortos. “Por usarem sapatos apertados!”, minha avó respondia. Eu pensava: “Nossa, eu não quero nunca usar sapatos apertados!”. Todas elas também tinham calos nos joelhos, inclusive minha avó. Ela dizia que quem falava muito com Deus tinha aquela marquinha, e que logo, logo eu também teria a minha. Eu ficava feliz, queria ter a minha marquinha nos joelhos! Lembro-me, também, que todas elas beiravam a mesma idade, quase uns 60. Eu as achava muito velhas, afinal, todos os filhos delas já tinham tido filhos! Que coisa doida!

Certa época, minha avó foi morar longe, com minha tia. Toda vez que eu a visitava, ela fazia frango com quiabo pra mim, minha comida predileta. Depois, voltou a morar com a gente, eu já maiorzinha, uns 6 anos. Ela me ajudava com as lições de casa, dizia com orgulho que tinha até a 4ª série primária. Era muito exigente, calculava muito bem e sabia tudo o que era com “s”, “z”, ”ss” e “ç”, bem como tudo o que tinha acento agudo, acento circunflexo e til. Reclamava das minhas pinturas e dizia: “Você não pode pintar pra fora da linha do desenho! E também precisa pintar tudo numa direção só!”  Tinha a letra linda, mas eu sempre pensava: “Nossa! Minha avó é mesmo velhinha… quem estuda só até a 4ª série primaria? Eu vou estudar muito e terminar tudo!”.

Hoje, não tenho meus calos nos joelhos, nem conheço nenhuma amiga da minha avó. Ainda não sei o que realmente causa os tais joanetes, mas tenho aversão a sapatos apertados. Não suporto frango com quiabo, nem estudei tudo o que queria. Também descobri que não é preciso ser muito velho pra ter estudado apenas até a “4ª série primária”, ou menos que isso, mas sim que a oportunidade de estudar é uma questão de “sorte”. “Sorte” de ter nascido no lugar certo, na família certa.

Hoje, minha avó tem 80 anos. E acho engraçado como eu estou ficando velha, e ela não.

Sobre triângulos

De uns anos pra cá, triângulos foram minha sina. Não, não me orgulho disso. Também não me sinto culpada, até porque a descoberta vem uns tempos depois do envolvimento, ainda que a desconfiança exista desde sempre. Não digo que sou intuitiva, mas geralmente pessoas comprometidas deixam vazar alguma coisinha, daí vaza outra e outra, até que a outra pessoa apareça por completo. Claro, não toco no assunto, não pergunto, até porque o dia que me arrisquei a perguntar, recebi a resposta simples e clara: “Sim, tenho alguém. Você tem problema com isso?”.  Só que, mais cedo ou mais tarde, perguntando ou não, a verdade aparece.

Não, nem sempre o camarada está disposta a enganar você. Alguns são sinceros, até porque disfarces e invenções dão muito trabalho, têm que fazer sentido, convencer, e se já é difícil tapear uma, imagine duas, três, ou quantas pessoas  o cara estiver disposto a ter? Esses só querem que você os aceite do jeito que são, dizendo que um dia irá resolver toda essa situação. Ou não.

E nem sempre o comprometimento que o mocinho tem com a outra pessoa é físico, muitas vezes é emocional, o que o faz ter diversas recaídas com aquela que ele realmente ama, que (in)felizmente, não sou eu é você.

Hoje, sei que tenho ímã pra pessoas emocionalmente fracassadas, complexadas, que não se libertam do passado, que não se permitem viver novas experiências. Lamentam o que passou, o valor que não deram, o que poderiam ter feito e não fizeram, que querem a todo custo reviver o que não dá mais tempo. Geralmente, a outra ponta do triângulo sabe no que está metida. Ela já se acostumou com as indas e vindas, com o relacionamento morno, ou está envolvida também em outros relacionamentos, ou simplesmente se diverte com a situação, vendo sua presa indo e voltando, totalmente dependente dela, enquanto se sente livre, leve, solta e poderosa. Quando descobre a outra ponta, topa jogar, entra na disputa (oi? Disputa?? Nem sabia! Pode levar!), enquanto lá estou eu, quietinha, passiva, já vendo tudo o que vai acontecer: ele vai embora (azar no jogo, sorte no amor? Tenho azar nos dois. Hum… pensando bem, nesse caso é sorte, né?). Sim, ele vai embora, talvez com a outra ponta do triângulo, ou com uma outra qualquer, talvez aos pouquinhos, ou de uma só vez,  mas ele VAI. É a única certeza que tenho, sempre.

Enfim, estou cada vez mais convencida de que aquele tipo de relacionamento que papai e mamãe me ensinaram que existe, só existe na minha cabeça (acho que nem na deles existe mais).

 Forever alone?? That’s me!

De um amigo…

Postando um poema que um amigo meu fez pra mim, um tempinho atrás. Fiquei emocionada quando li… é lindo!

Muito obrigada, E. C.! 

 

Sopro de vida

 Desejo tua boca em mim como se afogado

Atiraria-me ao mar a cada dia por isso

Mesmo que por infelicidade soubesse nadar

Mas não preciso do mar, não temo a morte

Muito menos a vida, tenho você a cada dia

Tenho tua boca doce e macia em mim

Preenchendo meu imenso vazio sem ela

Aqueço-me nela, me alimento e vivo dela

E das suas mãos suaves e dedos delicados

Que me manipulam como a um marionete

Roubando lágrimas de alegria a quem me ouve

Mas bem sabes é tua voz que chega a eles

Não tenho sua alma, seu talento, sua beleza

Então por alguns momentos, como um milagre

Tenho tudo isso a vibrar e soar através de mim

 

De seu instrumento e quem mais te sentir.

Autor: E. C.

Depilação sem… dor?

Estamos cercados de falsas promessas por todos os lados, mas ser iludido por promessa de uma depilação sem dor, vai além dos limites da maldade humana. Ela está por todos os lados: centros de estética, consultórios de dermatologia, sites de desconto… E foi aí que me lasquei. A oferta estava lá, chamativa, com argumentos apelativos do tipo “pêlos nunca mais”, e ainda por cima… “sem dor”. Existem mulheres que venderiam a alma por uma oportunidade dessa! Claro, como quem oferecia a oferta era uma clínica super conceituada daqui, 18927363452 cupons já haviam sido vendidos. “Compre até 8 cupons!”, o site dizia, e lá fui eu, faminta, arrematando logo o máximo de cupons permitidos. “Só 8??”, pensei. “Acho que preciso de uns 80!”

Fui ler a descrição do que eu estava prestes a enfrentar. Tudo lindo, maravilhoso, dos sonhos:

“Depilação a laser soprano: a maneira mais segura e confortável de eliminar pelos indesejados”;

“O Soprano XL é a nova geração de sistema de epilação a laser. É uma solução efetiva, simples e fácil para eliminação de pelos indesejados. Sua tecnologia de vanguarda é descrita como uma das mais confortáveis opções para este fim disponíveis no mercado”;

“Excelentes resultados clínicos, somados ao conforto do paciente, fazem que o sistema Soprano XL seja eleito a melhor solução para Epilação a Laser do mercado”.

A cada descrição que eu lia, meus olhinhos brilhavam… Como não aproveitar tal oportunidade?

Assim que fechei o negócio, liguei pra marcar a primeira sessão. Tinha vaga já naquela semana.

Chegou o grande dia. Levei 2 cupons, um pra cada área diferente. Entrei no consultório e logo perguntei: “É verdade que essa depilação é sem dor?” Ela respondeu: “Bem, sem dor, não. Você vai sentir um desconfortozinho”. Pronto, já afundei na cadeira. Ainda assim, pensamento positivo: “pêlos nunca mais, Carol! Lembra??”

Deitei naquela maca e um pouco de tempo depois estava eu lá, com lágrimas escorrendo pelo rosto. “Não precisa gritar”, ela dizia. “É só pedir pra parar quando doer, que eu paro”. Mas não dava tempo. Juro que eu queria dizer: “Ok, pode parar agora, por favor? Começou a doer, já.” Só que tudo o que saía de mim era um imenso “AAAAAAAAAAAAIIIIIIIIIIIIII” (junto com as lágrimas, claro). E lá estava ela, compreensiva, dizendo: “É, eu sei que dói. E quanto mais pêlo, maior a dor. Você tem muito pêlo e ainda tem uma pintinha aqui. O laser tá queimando sua pintinha, aí dói um pouquinho mais”. E eu lá, só pensando: “Pra que otário vou doar meus outros 6 cupons?” Mas ninguém nunca me fez tanto mal pra que eu pudesse entregar tal cavalo de tróia… Quem mereceria aquilo, meu Deus?

Só sei que no final da sessão, a situação já estava assim:

Médica: – Ó, vou contar até 5 só, pode contar junto comigo! Vamos lá? Vou começar, vou começar… Comeceeei!!! Ó: ummmmmmmm, doooooissssss, trêeeeeessssss…

Eu: – Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!!!!! “Droga!”, pensava, “nem até 5 consigo contar!”

Médica: – Não tem problema! – como se tivesse lido meus pensamentos. – Vamos contar de novo. Descansa um pouquinho e a gente recomeça… Já posso?

Eu: – Nãaoooo… (com tom de súplica).

Enfim, 15 dias depois os pelinhos cairam. Não doei os cupons, talvez (eu disse TALVEZ) eles realmente valham à pena. Só que é muita dor, muita humilhação, você perde a dignidade dentro daquela salinha da médica novinha que tem rostinho e vozinha de anjo e um aparelho torturante na mão.

E gente, pleaseeeeeeee, não caia no conto da depilação definitiva sem dor! Depilação sem dor é o caramba (tá, não era essa a palavra que eu ia usar)! Quem quer depilação sem dor, a única solução ainda é aderir à velha, querida, bem amada e salvadora da pátria lâmina de barbear (vulgo Gillette)! Ah, também tem aquele creme depilatório maldito (pelamorrrr!! Se você já se deu bem com aquilo, considere-se sortudo(a)! Não conheço ninguém que tenha utilizado aquela meleca com total satisfação!). Como a própria médica disse, se a depilação definitiva que oferecem por aí é indolor, tem alguma coisa errada! O laser (ou a luz intensa pulsada, que é mais fraca que o laser) precisa de uma temperatura “X” pra queimar o pelo e ponto! Não tem “jeitinho”, nem aparelho de última geração que fará com que eles sejam eliminados sem dor! A verdade, infelizmente, é essa!  O que a médica me indicou foi uma pomada anestesiante que pode amenizar a dor no processo da depilação, mas só AMENIZAR! Ela foi bem clara quanto a isso.

Pois é, gente! Ser mulher não é pra qualquer uma, é só pra quem aguenta o tranco! Tá difícil? Pede pra sair!

(Um post muito legal que encontrei, chamado “10 razões para as mulheres ficarem peludas”: http://tafroids.blogspot.com/2011/02/10-razoes-para-as-mulheres-ficarem_12.html.)

Mulheres com pêlos: Por um mundo menos difícil para nós! Bora aderir? (cof, cof)

 

 

Será que…

“Será que é mentira
 Será que é comédia
 A vida da atriz?
 Se ela um dia despencar do céu?
 E se os pagantes exigirem bis?
 E se o arcanjo passar o chapéu…”

 

 

 

(E se ela só decora o seu papel…?)

 

Estou aqui

Me dei um prazo. Ficarei aqui, parada, me lamentando, até o final de janeiro. Faço isso porque algo dentro do peito diz que o que espero pode valer à pena. Mas esperar pelo que não se sabe por tempo indeterminado é exigir demais de mim. 2012 começou há mais de 3 semanas e não sinto isso. A sensação é de que todo mundo virou o ano, menos eu. É como se eu tivesse ficado perdida em algum lugar por 2011, entre os dias 25 e 31 de dezembro. Há, também, questões que ficaram presas junto comigo, esperando para serem resolvidas. Está faltando alguém voltar aqui no tempo pra responder perguntas e me levar de volta para o futuro, ou para o presente. Temo que nada do que espero chegará a tempo. Ok, sei que não chegará. Mas preciso desse… luto? Bem, só sei que dia primeiro de fevereiro, darei o primeiro passo, ainda que não seja o passo certo. Sairei correndo, voando, ou me arrastando de 2011, mas chegarei aí, onde todo mundo já está. E pronta, prontíssima para o carnaval.

PS: até lá, perturbarei vocês com meus posts melancólicos.

Quantos dias?

Seriam 15 dias, então, comecei a contá-los. No meio do caminho, me perdi. Sei que já se foram todos  e, com eles, mais alguns dias também se passaram…

Nada aconteceu.

Hoje, nem lembro ao certo o que esperava ao final do 15º. Talvez, já nem importe mais.

(Mesmo assim, vou sentar meu traseiro aqui e esperar, ainda que  não saiba o quê  – ou  quem.)